Prefeito ganhará mais que governador

29/02/2008

Quem for eleito em outubro para administrar a pequena Sabinópolis, de 16 mil habitantes, vai receber R$ 12 mil por mês. Salário do governador de Minas não passa de R$ 10,5 mil
Daniel Antunes - Estado de Minas
 
O próximo prefeito de Sabinópolis, no Vale do Rio Doce, distante 267 quilômetros de Belo Horizonte, terá motivos de sobra para comemorar a vitória nas eleições municipais de outubro. No fim do mês passado, a Câmara Municipal aprovou, em reunião extraordinária, reajustes diferenciados de até 120% nos subsídios do Executivo e do Legislativo para a legislatura 2009-2012. Com o aumento, o salário do prefeito, que hoje é de R$ 7 mil, passará,  no ano que vem, para R$ 12 mil – mais do que ganha o governador Aécio Neves (R$ 10,5 mil). Os vereadores, que atualmente recebem R$ 1.036, passarão a embolsar mensalmente R$ 2,3 mil.

Com pouco mais de 16 mil habitantes – 40% vivem na zona rural –, Sabinópolis é um dos municípios que melhor vão remunerar os políticos eleitos em outubro. Para se ter idéia, Governador Valadares, a maior cidade do Vale do Rio Doce, com 250 mil habitantes, pagará ao prefeito eleito subsídios de R$ 10,8 mil. Em Sabinópolis, o projeto aprovado pelos vereadores, por 6 votos a 2, estabelece ainda que os subsídios poderão ser reajustados anualmente, de acordo com o mesmo índice de aumento dos deputados estaduais ou de acordo com os índices oficiais de correção da inflação.

A aprovação do projeto provocou muita polêmica na cidade. Voto contrário ao reajuste, o vereador Antônio Ribeiro Simões (DEM) disse que o aumento é uma ofensa à população. "É uma falta de respeito e um abuso para com o município, que não tem indústrias e registra altos índices de desemprego e pobreza. Não temos porte nem estrutura para bancar salários tão altos", disse. De acordo com ele, os parlamentares que votaram a favor do projeto não levaram em consideração as necessidades da cidade. No ano passado, os vereadores tentaram reduzir a proposta de reajuste, refazendo os cálculos dos subsídios. "A idéia era fazer com que o aumento fosse calculado com base nos índices da inflação dos últimos quatro anos", comentou. Além de Simões, outro voto contrário ao projeto foi do vereador Carlos Roberto Mourão (PT).

Sem nenhuma explicação, a reunião para a votação do projeto de reajuste, realizada em 28 de janeiro, não foi gravada nem transmitida pelas rádios locais, como é comum no município. De acordo com Simões, a população ficou sem acesso à reunião extraordinária, feita na surdina.

Adequação


O vereador Ivan de Oliveira (PP), autor do projeto, alegou que os vencimentos não eram reajustados desde 1996 e que o aumento foi calculado com base no orçamento do município. "O que vinha ocorrendo era adequação ao salário mínimo. Poderíamos ter feito o calculo com o índice das últimas três legislaturas, que daria a mesma porcentagem ou até mais" disse o vereador.

O prefeito Élzio Maria de Pinho (PR) não foi encontrado para falar sobre o assunto. Na prefeitura, a informação era de que ele havia viajado a Belo Horizonte,  onde seu telefone estava na caixa postal.

Nas ruas de Sabinópolis, moradores têm demonstrado insatisfação com a decisão dos parlamentares. O comerciante João Francisco de Lima, 58 anos, afirmou que o povo é que deveria participar das decisões sobre salários do Executivo e Legislativo. "Trabalhamos duro durante o mês para receber um mínimo que será de R$ 412,40. Os vereadores ganham um absurdo para freqüentar duas reuniões por mês " reclamou. Já o funcionário público Teófilo de Pinho Andrade lembrou que Sabinópolis tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado e sofre com problemas de infra-estrutura básica. "Foi um absurdo o que esses vereadores fizeram. Nosso próximo prefeito terá o salário superior ao do governador", disse.
 
Fonte: Estado de Minas

Enviado por: Max

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